Pare de Comparar Smartphones com os Consoles de Videogame da Geração Atual

23 de outubro de 2017 . Atualizado 24/10/2017

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PS4 vs iPhone, os dos a 80 quem ganha?

Entre 2011 e 2012, muitas pessoas tinham a nítida sensação de que os jogos de celular iriam encostar nos consoles. Essa sensação, pelo menos para mim, passou depois do lançamento do Playstation 4 e Xbox One. Porém, ainda hoje há quem acredite que os celulares precisam seguir o modelo de negócios, e a jogabilidade dos consoles. Será mesmo que jogos mobile de R$ 200 reais, e com cutscenes de 40 minutos são uma boa ideia?

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– Gráficos: “parece” não quer dizer que é “igual”

Eu sei que os smartphones evoluíram bastante. Nós aqui do site, costumamos fazer comparação do visual de alguns jogos mobile com games que existem nos consoles. Porém, essas comparações sempre devem ser tomadas a “título de curiosidade”.

A ideia sempre foi mostrar a evolução dos jogos mobile em relação ao passado, tendo como parâmetro os consoles. Porém,  muita gente pensou que se trata de uma corrida e que os celulares vão substituir tudo. Não se pode estar mais errado!

Após um período de adaptação, depois do boom dos “novos” smartphones, é possível perceber que até mesmoo mercado de portáteis já está se rearranjando e encontrando o seu nicho. Seja com o Nintendo Switch, 2DS ou com o GPD e outras coisas que até usam Android.

Embora consigam trazer alguns jogos que existem nos consoles, O mobile ainda possui diversas limitações. Vamos enumerar algumas delas aqui.

Mas de antemão, deixamos um aviso: Consoles de videogame são máquinas dedicadas a jogos. Os smartphones não! Portanto quando você ver qualquer comparativo entre iPhone 8 Plus e o seu “fudendo” chip Bionic A11, lembre de fazer o comparativo não apenas de CPU, mas de GPU também.

O iPhone 8, por exemplo, supera o Playstation 4 em processamento bruto de CPU. Mas quando o assunto vai para o que realmente importa (GPU), podemos notar pela tabela abaixo que iPhone e PS4 estão em mundos completamente diferentes.

Unidade

iPhone 8 e iPhone X

Playstation 4

GFlops

340 (estimativa)

1.840

Polígonos por segundo

300 milhões (estimativa)

1.6 Bilhões

 

Consoles de videogame são máquinas dedicadas a jogos. Já os smartphones, não!

 

– 1ª Limitação: ENERGIA

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A primeira grande limitação técnica , óbvia, nos smartphones é a energia. Este aspecto influência em tudo quando os desenvolvedores vão pensar em um jogo. Em um port de um jogo de console para mobile, o consumo energético será priorizado. Os desenvolvedores vão desligar vários efeitos para poupar energia.

Por isso, podemos notar que a sessão média de uma fase ou partida em um game mobile nunca supera 5 minutos.

Outro aspecto evidente é que, como o smartphone não é uma máquina dedicada a jogos, o game precisa poupar energia para não ser o vilão do desempenho da bateria do seu celular. Por isso em muitos jogos, os gráficos vêm configurados no mínimo durante a primeira utilização.

– 2ª Limitação: ATENÇÃO

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O smartphone é a máquina de distração definitiva. Tudo está literalmente a um toque dos dedos. Já pensou um Dark Soul no celular, sendo que você recebe notificações de grupo do whats a cada minuto, junto com ligações, notificações e etc? Simplesmente não dá, é muita distração.

Outro problema, também relacionado a atenção, é jogar enquanto se faz outra coisa. Como por exemplo assistir TV, esperar uma fila e etc. Se o jogo for muito complexo, a pessoa simplesmente “tilta” e não sabe o que faz. Você não vê ninguém por aí atravessando na faixa de pedestre enquanto mata um boss no Nintendo 3DS ou Switch.

Então, agora ficou claro por que a grande maioria dos jogos mobile é “direto para diversão” ou são apenas do tipo “pegue e jogue”. A acessibilidade é essencial no mobile gaming.

Um jogo de celular é um aplicação dentro de um vasto mundo que cabe no seu bolso. O game, por mais legal que ele seja, concorre com uma série de distrações que estão a um toque como: ligações, Whatsapps, Instagram, Facebook e etc. Tudo isso competindo por processamento e por um “pedacinho” da sua bateria.

– 3ª Limitação: Espaço interno

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Sim, temos limitações técnicas de tamanho em relação ao consoles. Por isso é meio ridículo comparar Real Racing 3 com Forza Motosport, sendo que Forza tem cerca de 60 GB de conteúdo. Já no mobole, é raro encontrar games com 4 GB de download.

Como se não bastasse imagine baixar vários jogos desse tamanho. Rapidinho encheríamos um smartphones com o espaço mediano de 64 GB de armazenamento interno. E olha que esse nem é o armazenamento médio dos smartphones no geral.

– 4ª Limitação: MERCADO DIFERENTE

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Jogos mobile nunca tiveram obrigação de competir com ninguém. É um mercado novo! O mercado mobile nunca focou no PC Gamer ou Console Gamer, em pessoas que já possuem uma excelente máquina para jogos. No máximo, de 2010 a 2012, uma parte (PEQUENA) do mercado mobile focou no jogador de portátil mais engajado.

É absurdo imaginar que as produtoras vão parar o que estão fazendo para criar games idênticos aos dos consoles nos celulares. Com a possibilidade de perder o cliente em potencial na plataforma principal.

Na realidade, as pessoas, por vontade própria, questões financeiras, ou por comodidade (e falta de tempo) foram abandonando a experiência relevante de um jogo num console e PC, para conferir um game mais “rapidinho” no celular.

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Os portáteis como Nintendo DS, 3DS e PS Vita, eram os concorrentes diretos dos jogos de celular, e todo mundo sabe o que aconteceu. O mobile destruiu a concorrência e hoje lidera como a plataforma “não conectada na tomada” mais usada do planeta.

Existem N motivos para o mobile não competir diretamente com qualquer console, mas a que pode resumir tudo é a seguinte: o modelo de distribuição.

Hoje em dia a grande maioria dos jogos mobile são free-to-play por um simples motivo: dá muito mais dinheiro.

Enquanto empresas que produzem jogos incríveis para console  lucram em média US$ 100  milhões por ano, a Supercell lucra US$ 1 bilhão fácil todo ano.

Assustou? Agora você entende o motivo de empresas como a Gameloft terem abandonado os jogos pagos, e terem preferido a superficialidade de jogos free-to-play. Existem inúmeros cases de sucesso no mobile de games feitos por 4 a 20 pessoas que lucra em média 1 milhão de dólares por mês.

Livre do modelo de distribuição, os jogos de celulares não possuem preço fixo e muito menos limites para o modelo de monetização. Algumas empresas até incluem microtransações em seus jogos de console, mas isso é duramente criticado e visto com maus olhos pela maioria dos gamers de console.

-5ª Limitação: FINANCEIRO

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O que é melhor comprar? iPhone ou PS4? Ou o reboco da parede? Preço elevado dos smartphones gerou uma comparação injusta e bizarra no Brasil.

Por volta de 2013, um bom smartphone ou tablet para rodar os jogos mais pesados do Android e iOS era mais barato que os consoles de última geração. Hoje em dia, um top de linha custa algo na faixa de R$ 3 mil a R$ 5 mil reais, muito acima do preço de qualquer console. Nos Exterior, a comparação é ainda pior, com os consoles na casa dos US$ 300 dólares. Smartphones topo de linha no exterior passam dos US$ 700 facilmente.

Isso se chama consumismo. Os smartphones são objetos de desejo muito mais populares que consoles de videogame. Logo, é normal existir essa elevação de preço.

Isso fez o consumidor se perguntar se valia a pena comprar um celular top de linha ou comprar um console de última geração.São produtos diferentes para usos diferentes, a simples comparação é absurda. Sem mencionar que não existe top de linha com feature “essencial”.

Mas nesse meio tempo, algo estranho aconteceu. Muita gente caiu no erro de pensar que celulares tinham a obrigação de “ultrapassar” os consoles. Pois aplicou-se a lógica de “se é caro, precisa ser melhor”.

Apenas para deixar claro. Esse tipo de comparação é absurda. Se você está na dúvida, compre um console de videogame e depois adquira um smartphone intermediário ou básico.

– Conclusão

Por questões de limitações de hardware, de orçamento, de uso (atenção), tamanho dos jogos e financeiro, simplesmente não faz sentido algum comparar jogos de consoles como Playstation 4 ou Xbox One com games mobile.

Embora algumas screenshots ou cenas de algum jogo deixem essa impressão, vale lembrar que o mundo dos jogos mobile é completamente diferente dos consoles. Jogos de videogame da geração atual no estilo triplo AAA são impossíveis nos smartphones, que mal possuem hardware para abrigar jogos da geração passada.

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O Gamer de Celular Original. Passou por várias gerações (Java, Symbian, N-Gage). É o criador e idealizador do Mobile Gamer. Também é retro colecionador.