Review: Oceanhorn é um novo game em “estado da arte” para iOS

14 de novembro de 2013 . Atualizado 11/11/2014

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Oceanhorn: Monster of Uncharted Seas [iOS – USD 8,99] levou mais de dois anos para ficar pronto. O game segue a risca a cartilha de Legend of Zelda, apresentando dungeons, chefes, foco em exploração – a coisa toda. Mas Oceanhorn nem precisava ser incrível como é para incomodar, basta saber que mesmo com o seu preço não sendo um padrão na App Store, o jogo custa US$ 8,99, ele já é um dos jogos mais baixados da App Store Americana e chegou rapidamente a primeira posição em diversos países. Não precisou de publicidade, “Editor Choice”, nada disso.

Poucos jogos deixam uma primeira impressão tão forte a ponto de incomodar a indústria “convencional” dos jogos. Este ano esse “incômodo” veio com o lançamento de Oceanhorn: Monster of Uncharted Seas, um jogo com um visual e jogabilidade totalmente inspirados em Legend of Zelda Wind Waker, mas que irá “encabular” qualquer dono de Nintendo 3DS e PS Vita por conta de sua qualidade visual e sonora, já que o game contou com a participação de lendas do RPGs como Nobuo Uematsu. Detalhe, o jogo funciona muito bem em aparelhos que foram lançados na mesma época que os consoles portáteis. Então a “desculpinha” de que se trata de um lançamento para igadgets recentes não vale.

Lançamento conturbado

Anunciado em julho de 2011 pelo estúdio finlandês Cornfox & Brothers, Oceanhorn: Monster of Uncharted Seas impressionou os jogadores. As imagens do jogo em desenvolvimento eram mais bonitas do que qualquer jogo lançado até então para celulares e até consoles portáteis.

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Primeira concepção do jogo para iPhone 4S

Mas ao que parece, o jogo foi anunciado prematuramente, pois seu lançamento aconteceu apenas dois anos depois. E com direito a uma pequena gafe. Em março de 2013, uma versão de teste do jogo veio parar na App Store australiana e alguns usuários chegaram a comprá-la. Essa versão não tinha nada, apenas uma planície com alguns inimigos.

A inspiração em Legend of Zelda Wind Waker

De fato, dizer que Oceanhorn é um jogo que parece com Legend of Zelda: Wind Waker é quase eufemismo, o jogo é quase idêntico, mudando apenas alguns conceitos de câmera e é claro, o layout das fases e personagens que não poderiam ser iguais. Oceanhorn não é tão brilhante como Wind Waker (Nintendo Game Cube / Wii / Wii U), de longe um dos melhores Legend of Zelda já feitos, atrás, apenas, da dupla “Ocarina of Time” e “Majora Mask”.

Mas Oceanhorn consegue conceber algo muito próximo da experiência de um verdadeiro Legend of Zelda, em sua jogabilidade, história e visual. Tudo no jogo é muito cativante e convidativo para mais uma explorada. Sem dúvida um dos melhores lançamentos do ano de 2013 para iOS.

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Quem é quem?

Já estou esperando um monte de gente cair em cima dizendo que tudo no jogo é cópia de Legend of Zelda. Cópia, meu caro leitor, é quando acontece um “Ctrl+C” e “Ctrl+V”. Se nada no jogo é estritamente igual, não pode configurar cópia e nem plágio.

A história

Há muitos anos, o reino de Arcádia era uma terra próspera que levou os arcadianos a inúmeras descobertas científicas. Engenharia e magia corriam em suas veias. Uma guerra bárbara começou quando Mesmeroth, antigo candidato a arquimago, liderou os exércitos direfolks numa guerra contra Arcádia.

Com sua magia negra, Mesmeroth entrou no seio profundo da terra e trouxe a luz Triloth, uma massa de energia escura que sobrou da criação do mundo. Navios negros chegaram aos portões de Arcádia, trazendo a energia escura Triloth. Essa energia escura foi o que destruiu o reino de Arcádia, jogando-o em uma inundação e criando monstros terríveis como o Oceanhorn.



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Um jovem aventureiro que possui apenas o diário do seu pai e o colar da sua mãe, parte então em uma aventura épica, refazendo as viagens do seu pai e enfrentando diversos perigos pelo caminho.

Jogabilidade

Oceanhorn possui o mesmo esquema de combate dos jogos de Legend of Zelda. Você controla um jovem herói com uma espada e um escudo e deve combater inimigos como goblins, ratos, caranguejos e é claro, chefes de dungeons.

O jogo simula algumas jogabilidades de Wind Waker, mas em Oceanhorn tudo é simplificado. A câmera fica fixa em uma posição isométrica e os mapas são pequenos e de fácil exploração. O esquema do jogo é o seguinte: você viaja de ilha em ilha explorando, enfrentando chefes e desbloqueando novas áreas. Nem sempre tudo que há em uma ilha poderá ser explorado logo de cara. O jogo simplifica o sistema de viagem, mostrando um mapa ao jogador e ele precisa apenas tocar no local que deseja ir.

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Fácil de jogar e muito divertido.

Durante uma viagem, o jogador pode utilizar um arco e flecha para disparar em barrirs no mar e ganhar novos itens. Uma distração para um problema no jogo, a falta de um botão “Skip” para encurtar as viagens. Pelo menos o visual é muito bonito.

O jogo sugere missões como matar x inimigos ou acertar alguém com um pote para ganhar mais cristais que são utilizados basicamente para fazer o jogador evoluir de nível. Você pode pegar barris, potes, pedras, lanterna e arremessá-los. Há puzzles envolvendo blocos e passagens secretas. Ao longo do jogo você vai adquirir um monte de power-ups: bombas, arco e flecha, botas para saltar e muito.

Os chefes presentes no jogo são criativos e refrescam a jogabilidade quando o jogador está cansado de explorar. Alguns inimigos são muito irritantes, como os polvos que se escondem na areia. No geral, o jogo é fácil, mas exige uma boa dose de exploração para descobrir todos os segredos, o que evidencia um bom level design.

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“Navegar é preciso, viver não é preciso”.

Gráficos inacreditáveis e musicalidade cativante

Um dos fatores mais chamativos em Oceanhorn são os seus gráficos. O visual é tão bonito que plugado em uma TV via HDMI, ou Airplay, fará qualquer pessoa imaginar que se trata de um jogo de Nintendo Wii U. Modelos de personagens medianos são cobertos por texturas incrivelmente trabalhadas. O mais impressionante é o tamanho do jogo, apenas 170MB. O jogo roda muito bem em aparelhos como iPhone 4S e iPad 2. Em modelos mais antigos, como o iPhone 4, o jogo até roda, mas ficará sem alguns efeitos visuais.

A trilha sonora não fica atrás. Com músicas de Nobuo Uematsu e Kenji Ito, o jogo ganha um aspecto tocante e muito emotivo. Para quem não conhece, Nobuo Uematsu trabalhou em obras como: Final Fantasy, Chronno Trigger e Last Story. Kenji Ito, por sua vez, trabalhou em outros projetos ligados a Final Fantasy e Super Smash Bros.

Conclusão

Por mais “cópia” que pareça, Oceanhorn tem seus méritos próprios. A apresentação do jogo é um deles. O jogo pesa ridículos 170MB e tem uma duração muito boa, cerca de 10-15 horas. Porém, o mais impressionante ainda é a qualidade visual e sonora do jogo. Há diálogos, músicas, efeitos de luz e sombras. O design dos personagens lembra Wind Waker, mas o estúdio deu um toque de inspiração própria. Oceanhorn é mais um jogo que prova que uma boa parcela dos gamers de celulares querem ter uma experiência de console em seu smartphones. E se as grandes empresas não estão dispostas a realizar esse “sonho”, os jogadores irão atrás de games inspirados em clássicos dos consoles, ou pior, instalar emuladores.

Prós

  • Gráficos incríveis
  • Longa duração
  • Todo em português

Contras

  • É fácil se perder
  • Pouca originalidade

Nota 9/10

 

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O Gamer de Celular Original. Passou por várias gerações (Java, Symbian, N-Gage). É o criador e idealizador do Mobile Gamer. Também é retro colecionador.