Android TV e o porquê dela não ser destinada ao público gamer

2 de julho de 2014 . Atualizado 16/07/2014

android-tv-1 Android TV e o porquê dela não ser destinada ao público gamer

Durante o mais recente evento Google I/O 2014, a gigante das buscas e mantedora do Android apresentou sua nova plataforma, a Android TV. Compatível com setupboxes, TVs e consoles desenvolvidos por terceiros, a iniciativa marca a entrada oficial da Google nas TVs. Porém, a Android TV passa longe de substituir um videogame, bem longe!

– Seguindo a tendência e ditando as regras

O lançamento da Android TV não é nada inovador. Em Abril, a Amazon havia anunciado a Fire TV, um setupbox com Android e gamepad, que já nascerá com 96 jogos compatíveis. Sem mencionar os milhares de sticks USB chineses que já tinham Android e permitiam, a pelos menos um ano atrás, transformar a sua TV comum em uma TV com Android.

“Então porque o Google lançou a Android TV se ela não é nada inovadora?” A resposta é simples. Sendo dona da tecnlogia Android não fazia sentido a Google se omitir da equação. Antes das fabricantes tentarem destruam a ideia com bloatware (como quase fizeram com o Android nos smartphones), a Google decidiu agir e anunciar uma versão especial do Android para telas grandes.

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Até mesmo a Sony está apostando nos “mini-videogames”.

A entrada da Google no ramo de televisores é algo perfeitamente previsível. No campo da mobilidade, o Android já domina ambos os mercados (smartphones e tablets), portanto, não faz sentido ficar esperando apenas próximas versões do sistema com recursos mirabolantes, não será algo visível em curto prazo. O que se viu no evento Google I/O 2014 foi justamente o conceito do Android em “outras coisas”: Android Wear, Android Car e, é claro, Android TV.

Essa tendência de setupboxes é um novo mercado que praticamente todas as gigantes de tecnologia estão mirando no futuro próximo. Apple, a pioneira no assunto, tratava a Apple TV como um hobby até bem pouco tempo. Muito provavelmente você a próxima Apple TV com um joystick gamepad. Até mesmo a Sony, dona do Playstation, entrou na briga por esses dispositivos de baixo custo com a PS Vita TV.

Mas muita gente está torcendo o nariz antes mesmos de ver os dispositivos. Principalmente quem já possui um console de videogame desta geração ou da geração passada. Antes de você levantar a mão e dizer que já tem algo melhor que a Android TV eu vou te dizer: “ela não foi feita pra você!”.

Esses consoles com Android e setupboxes não foram pensados para brigar com consoles de videogames. O público alvo não é também os Geeks de plantão. Então, para quem é indicado esses consoles com Android?

– O novo primeiro “videogame” da garotada

Hoje em dia, o primeiro videogame de um garoto ou garota não é um Nintendo Wii U, e muito mesmos um Xbox ou PS3. Hoje em dia, o primeiro contato das crianças com jogos eletrônicas é através dos smartphones dos pais. A garotada de hoje conhece mais os Angry Birds do que o Mario. Sem mencionar que há um filão dos “jogos grátis” (Free to Play) totalmente focado para o público infantil.

Nunca entendeu o sucesso de jogos como Clash of Clans, Minions Rush e Candy Crush Saga? Não tem problema, eles não foram feitos para o gamers donos de consoles de última geração. Eles foram feitos para a garotada que não tem dinheiro para comprar um jogo naquele momento, mas querem se divertir.

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Ligada a uma fonte de energia, consoles com Android TV podem exibir gráficos melhores que nos smartphones, devido a fonte “ilimitada” de energia.

Nos Estados Unidos, a média do público gamer, dono de consoles, é na falta dos 35 anos. A ideia por trás desses setupboxes é atingir o público “não gamer” ou, em última instância, o filho(a) do gamer médio americano.

Convenhamos, um console com Android tem preço, jeito e jogos totalmente voltados para o público infantil. Caso a plataforma dê certo, a Android TV não afetará em nada o consumo de videogames de última geração. Talvez afete um pouco o Wii U, mas eu duvido.

O preço que os consoles com Android TV devem seguir, deverá ser o mesmo que o da Fire TV, Ouya e similares. Algo em torno de US$ 100 dólares. O que tonar a ideia da Android TV um presente perfeitamente aceitável para as crianças, inclusive no Brasil (mesmo que por aqui, os aparelhos cheguem custando R$ 400 reais).

– Distribuição e potencial de “Playstation 2,5” no Brasil

Obviamente, o que decidirá o sucesso ou fracasso da Android TV será a sua distribuição. Veja o caso do Ouya, por exemplo. Do que adianta uma boa ideia se ela tem sérios problemas em chegar aos mercados que realmente importam para ideias “baratas”, os mercados emergentes.

Se a Google resolver lançar a Android TV no Brasil, como está fazendo com o Chromecast, oferecendo os consoles/setupboxes a um preço bacana, algo em torno de 300 a 400 reais, podemos presenciar o nascimento de algo interessante. A Android TV tem potencial de suprir um mercado que foi sonhado por Tectoy (com o Zeebo) e outras fabricantes por volta de 2008. Sem mencionar que será um console de baixo custo que já chega com jogos como GTA San Andreas.

Será que a Android TV vai vingar?

 

Fotos: http://mashable.com

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Mestre na arte oculta dos joguinhos de bolso. Passou por várias gerações (Java, Symbian, N-Gage). É o criador e idealizador do Mobile Gamer.