Análise: Blackview Tab 13 impressiona pelo preço, mas não pelo desempenho

Lançado em setembro e muito alardeado como “bom para games”, o Blackview Tab 13 é de fato um bom tablet, mas que pode decepcionar em alguns jogos pesados. Confira a nossa análise.

O tablet BlackView Tab 13 chegou ao mercado com uma proposta agressiva. Com preços iniciais na faixa dos R$ 800 reais, esse tablet atropela qualquer coisa na mesma faixa de preço à venda no Brasil.

 

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São 6GB de memória RAM + 3.5GB via expansão, resultando em quase 9,5 GB de RAM. O armazenamento interno é de 128 GB. Atualmente ele é vendido na faixar dos R$ 850 a R$ 900 no Aliexpress.

 

Confira todas as especificações do tablet:

  • Tela: LCD 10.1 IPS LCD
  • Processador: MediaTek MT6769Z Helio G85 (12nm)
  • Memória RAM: 6 GB
  • Armaz: 128 GB (expansível até 1TB)
  • Câmera traseira: 13 MP e 2 MP
  • Câmera frontal: 8 MP
  • Gravação de vídeo: FHD 1080p
  • Bateria: 8280 mAh
  • Peso: 525g
  • Dimensões: 24,6 x 16,1 x 7,3 cm
  • Android 12
  • Valor médio: R$850-900
  • Indicação: Bom para games leves e estudo

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O que vem na caixa:

 

Design

Para a sua faixa de preço, o design do Blackview Tab 13 tem um bom design. Com linhas bonitas e discretas, o tablet não “inventa” e aparenta ser uma peça bem construída.

Comparado com outros tablets chineses na mesma faixa de preço, ele fica dentro do esperado. Mas claro que se comparado a qualquer tablet vendido no Brasil,  na mesma faixa de preço, o Tab 13 parece muito superior.

Apesar de ser em plástico, o Tab 13 entrega um acabamento bonito. Mas é só plástico mesmo. A câmera fica posicionada na posição lateral (superior no modo paisagem), lembrando os antigos Motorola Xoom.

Tablet tem acabamento bonito e uma câmera de 13 polegadas.

Na caixa do aparelho, já vem junto uma case com capa que responde ao sensor de proximidade. Muito parecida com a do iPad, essa capa desliga a tela automaticamente ao ser fechada. A case vem com bordas emborrachadas para evitar impactos.

O conjunto tablet+case, me pareceu um pouco pesado, chegando a quase meio quilo.

 

Interface

O sistema que vem com o tablet Tab 13 é o Android 12 com a DokeOS 3.0 UI.

Há algumas coisas que gostaria de comentar sobre a interface. Desde que chegou aqui, há dois meses, o Tab 13 passou por uma atualização.

O sistema funciona perfeitamente e é bastante responsivo. Porém, de tempos em tempos a barra de navegação com os botões “home”, “voltar” e “aplicativos abertos” congela e para de funcionar por um ou 2 segundos.

 

A interface é bastante “crua” e não há muitas opções de customização para, por exemplo, atalhos para screenshots ou ligar a tela tocando nela. Caso você não use a capa que acompanha o tablet, terá sempre que recorrer ao botão power para ligar a tela.

O tom azulado do preset de cores da tela do Tab 13 incomoda já na primeira utilização. Felizmente, há muitas opções aqui para customizar isso. Não entendo essa fixação dos chineses por telas azuladas. Já vi isso em smartphones da Lenovo, Oukitel e até em alguns Xiaomi. porém, basta ajustar na opção “configurações >> Tela >> Temperatura de cor e otimização da tela”,  que fica tudo de boa.

No geral, o sistema é bom, mas faltou uma otimização para melhorar o uso geral do tablet. Não é ruim, mas esses “mini-travadinhas” da barra de navegação incomodam ao longo do tempo. Espero que corrijam isso com atualizações futuras.

 

 

Performance

O conjunto do processador Helio G85 e 6 GB de RAM LDDR4 parece uma ideia incrível no papel, mas há um elemento nessa equação que a Blackview não contava, o armazenamento interno.

Com o tablet dando alguns “engasgadinhas” constantes em jogos e no uso no dia a dia, fiquei bastante tempo decepcionado com o tablet. Até que resolvi tentar algo.

Demorei um tempo para notar o que era. Mas em meus testes, descobri que a expansão de memória RAM, na realidade, estava deixando o tablet mais lento. Ao desabilitar a RAM estranha, não só a performance melhorou, como melhorou também o em alguns jogos.

O culpado aqui não é o sistema, mas o tipo de memória flash usada para armazenamento interno.

O UFS 2.1 mesmo sendo antigo, é 3X mais rápido que a versão mais atual do eMMC 5.1.

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Ao utilizar o eMMC 5.1, a Blackview criou um gárgalo para o Tab 13. Algo que não existe em concorrentes como o Lenovo P11 e P12 que usam armazenamento muito mais rápido (até 3x mais rápidos).

Com isso, uso de memória RAM expansível cai por terra, pois o sistema vai colocar no eMMC, blocos de memória que precisam ser acessados de maneira muito mais rápida, e sem necessidade. Os 6 GB de RAM que vem no Tab 13 já são mais que suficientes.

Testes Antutu e GeekBench.

 

Roda jogos pesados? De forma sofrível, mas roda!

Nesse tópico talvez traga uma luz sobre o que são essas possíveis “travadinhas” do Tab 13 durante o uso no dia a dia.

Por conta do sistema de arquivo ser eMMC 5.1, o desempenho do tablet pode decepcionar quem esperava utilizar o mesmo em jogos pesados.

Em jogos onde há muita troca de informações entre o armazenamento interno e a RAM, o tablet vai apresentar muito stuttering, as famosas “engasgadinhas”. Não há como resolver isso.

Talvez se a Blackview tivesse usado o Universal Flash Storege (UFS) o tablet teria uma performance muito melhor.

Games como Genshin Impact e Tower of Fantasy é quase impossível jogar, muito stuttering.

Curiosamente, em Apex Legends Mobile, o tablet conseguiu manter os 30fps constantes, mas claro a custa de um sacrifício enorme por conta do visual. Visual extremamente borrado e cheio de bugs visuais.

Apex Legends no Tab 13 até roda bem, mas o visual é horrível!

Mas um jogo que funcionou muito bem foi o Farlight84, game que costumei apelidar de “Free Fire 2”. O jogo rodou muito bem nesse tablet, chegando a rodar perto dis 60fps.

 

Não se engane por vídeos de 5 minutos em que tentam te mostrar que o tablet é bom para jogos “pesados”… Ele não é!

Apesar de ser compatíveis com jogos pesados, a experiência é bastante inconsistente. Alguns jogos vão bem, outros não, mas no geral, todos os games pesados vão capar o gráfico ao máximo, chegando ao ponto de ficar muito feio.

Outro ponto negativo do tablet, para quem gosta de jogos de tiro, é a falta do giroscópio. Isso mesmo, não tem giroscópio nem o Tab 13 e nem no Tab 15. O giroscópio é muito utilizado em jogos de tiro para auxiliar na mira.

Muito bom para estudo e produtividade

Mas se no quesito games, o Blackview Tab 13 decepciona, no resto ele até que se sai bem.

O tablet é ótimo para estudo e produtividade.

Os 6 GB de RAM realmente são uma boa folga ao aparelho para trabalhar com arquivos grandes, sejam eles imagens para editar ou tabelas.

O modo PC é bem intuitivo e facilita bastante o uso para quem está acostumado com o jeitão “windows de ser”. Mas na minha opinião é um “gimmick”. Com um pouco de prática, você se acostuma com a interface do Android.

A Blackview não especifica qual é a case para comprar com teclado, mas ele já vem com um conector que fornece energia para o teclado. Esse recurso, mais o modo PC, transforma o Tab 13 em mini-notebook.

 

Suporte a 4G e LTE

Outro diferencial do Tab 13 e que costuma ser muito caro no Brasil é o suporte a nano-sim e redes 4G. Aqui no Brasil um tablet com 4G bem ruim, não sai por menos de R$ 1200 reais.

O Tab 13 só não faz ligações, mas acessa a rede brasileira do 4G sem problemas, o que mais uma vez o torna um ótimo tablet para levar para escola ou faculdade.

O Tab 13 surpreende pelo preço, mas não é um tablet para tarefas pesadas. Apesar da grande quantidade de memória RAM, 6 GB para um tablet é muito, o armazenamento interno é lento e termina comprometendo a experiência em jogos que exigem mais recursos.

 

 

 

+Prós

  • Preço acessível (importado)
  • Muita RAM
  • Boa construção
  • Conector para teclado
  • Câmeras OK

-Contras

  • Rom com alguns bugs aleatórios
  • Sistema de armazenamento lento
  • Interface um pouco “crua”
  • aplicativos e jogos pré-instalados

Alternativas? Lenovo P11, P11 Plus, P12

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    by
  • Dario Coutinho

    O "Gamer de Celular" Original. Criou um dos primeiros sites sobre jogos para celular em 2007, que viria a se tornar o Mobile Gamer Brasil em 2009. Formado em Ciência da Computação, escreve sobre tecnologia há mais de 16 anos. Com passagem por revistas de games (EGW, Arkade) e sites renomados como Techtudo. E-mail para contato: [email protected]

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