The Last of Us Remastered ganha PORT para Android e já passa dos 30 FPS em testes

Arte oficial de The Last of Us Remastered com Joel e Ellie, versão que ganhou adaptação não oficial para Android

The Last of Us Remastered, um dos jogos mais conhecidos do PlayStation, ganhou um port APK não oficial para Android. A primeira versão pública da adaptação foi disponibilizada em 6 de novembro de 2026 pelo desenvolvedor brasileiro Erick Mendes, do projeto Daedalus Emulator, e já permite executar o clássico da Naughty Dog diretamente em smartphones de alto desempenho.

Os primeiros testes são promissores: uma demonstração divulgada com o RedMagic 10 Pro, equipado com Snapdragon 8 Elite, registrou cerca de 36 FPS em resolução de 720p. Também circulam relatos de jogadores mencionando resultados próximos dos 30 FPS no POCO F7, mas ainda não foi possível confirmar de forma independente as configurações e a estabilidade desse teste.

O resultado chama a atenção porque não estamos falando de streaming, acesso remoto a um console ou de uma versão oficial lançada pela Sony. O projeto utiliza os arquivos originais do jogo de PlayStation 4 e uma camada de compatibilidade adaptada para Android.

Vídeo do canal Autoridade Tech:

The Last of Us Remastered para Android já tem APK disponível

A adaptação se chama The Last of Us Remastered — Daedalus Android e chegou à sua primeira versão pública, a 0.1, em 6 de novembro. O trabalho é baseado no projeto de PC do desenvolvedor ravencaio, que criou um ambiente próprio para executar a edição de PlayStation 4 fora do console.

Erick Mendes aproveitou essa base para construir uma versão destinada aos smartphones Android, com inicializador próprio, suporte a controles de toque, ajustes gráficos e ferramentas para preparar os arquivos do jogo no próprio celular.

É importante destacar que a adaptação utiliza The Last of Us Remastered, lançado para PlayStation 4 em 2014. Não se trata do jogo original de PlayStation 3 nem do remake The Last of Us Part I, lançado inicialmente para PlayStation 5 em 2022 e posteriormente para PC.

Essa distinção é importante porque a edição Remastered de PS4 utiliza uma base tecnológica diferente e possui requisitos menores que o remake mais recente.

Port roda no Android, mas não utiliza recompilação ARM64 completa

O novo projeto vem sendo divulgado entre os fãs de ports e jogos recompilados, mas sua tecnologia tem uma diferença importante em relação a outras adaptações recentes.

O jogo original do PlayStation 4 utiliza código de processador x86-64, enquanto a maioria dos celulares Android modernos utiliza processadores ARM64. Por isso, não é possível executar todas as instruções do jogo diretamente na CPU do smartphone sem adaptação.

Para resolver esse problema, o Daedalus Android combina um ambiente ARM64 baseado no Bionic, biblioteca de sistema do Android, com a tecnologia FEX-Emu, responsável por traduzir as instruções da CPU x86-64 para ARM64 durante a execução.

Na parte gráfica, o projeto utiliza componentes derivados do shadPS4 para adaptar a renderização do jogo à API Vulkan. Também há suporte a drivers gráficos Turnip em aparelhos com GPUs Adreno.

Isso significa que The Last of Us roda localmente no Android, mas não é um port completamente nativo de CPU, como algumas recompilações estáticas de jogos antigos ou projetos que aproveitam código ARM64 original de determinados consoles.

Mesmo assim, a iniciativa é bastante interessante, já que a equipe conseguiu reunir as ferramentas necessárias em um aplicativo Android específico para o jogo, sem depender de um ambiente Windows convencional.

The Last of Us já alcança mais de 30 FPS em smartphone com Snapdragon

O principal teste divulgado pela imprensa internacional utilizou um RedMagic 10 Pro com Snapdragon 8 Elite e GPU Adreno 830. Nesse aparelho, a adaptação alcançou uma média aproximada de 36 quadros por segundo em 720p.

A taxa já fica próxima da experiência de 30 FPS oferecida por muitos jogos de console, embora o resultado ainda dependa do cenário e das configurações utilizadas.

Há também relatos de desempenho na faixa dos 30 FPS em aparelhos como o POCO F7. Entretanto, não localizamos um teste documentado que permita confirmar se essa taxa é mantida durante a jogabilidade nesse modelo, nem quais ajustes gráficos foram usados.

Portanto, ainda é cedo para afirmar que qualquer celular equipado com um Snapdragon recente será capaz de executar o jogo de maneira estável.

O aplicativo oferece várias opções para tentar melhorar o desempenho, incluindo:

  • Resolução: possibilidade de usar o perfil original do jogo ou reduzir para 720p, 540p e 360p;
  • Limite de quadros: opções de 30 ou 60 FPS, sem garantia de alcançar essas taxas;
  • Efeitos visuais: ajustes para oclusão de ambiente, desfoque de movimento, profundidade de campo, bloom e sombras;
  • Drivers: versões Turnip incluídas e possibilidade de importar drivers compatíveis;
  • Monitoramento: exibição de FPS e informações de CPU e GPU durante a partida;
  • Controles: comandos virtuais e suporte a gamepads físicos.

O suporte a 60 FPS significa apenas que o jogador pode selecionar esse limite. Não é uma indicação de que o smartphone consiga manter essa taxa durante a campanha.

Adaptação permite jogar com controles de toque ou gamepad

Uma das novidades mais interessantes dessa primeira versão é a interface preparada para celulares.

O Daedalus Android inclui controles virtuais e oferece suporte a controles físicos, permitindo jogar com acessórios Bluetooth ou USB compatíveis. Também é possível alterar a maneira como o jogo ocupa a tela do smartphone.

Durante a partida, o usuário pode abrir um menu deslizando o dedo a partir da borda esquerda. Nele, é possível acessar ajustes gráficos e outras opções de execução.

O aplicativo também permite importar e exportar os arquivos de progresso em ZIP, além de selecionar partidas salvas quando os dados necessários estiverem disponíveis.

A interface do inicializador conta com português do Brasil e mais nove idiomas. Já a linguagem do jogo deve ser configurada nas opções do próprio título, conforme os arquivos da edição utilizada.

Port ainda tem problemas gráficos e travamentos

Apesar dos resultados animadores, o lançamento é experimental. O desenvolvedor não confirmou que toda a campanha de The Last of Us Remastered possa ser concluída no Android sem erros.

Entre os problemas conhecidos estão pausas causadas pela compilação de shaders, falhas específicas de física e colisão e possíveis travamentos em determinadas cenas.

Uma das correções recentes foi criada para lidar com deformações dos personagens causadas pela sincronização de resultados da física. Outra alteração tenta impedir um erro de acesso à geometria de determinados objetos do cenário.

Essas melhorias mostram que o projeto já está avançando, mas também deixam claro que ele ainda está longe de ser um lançamento comercial pronto para qualquer aparelho.

Como baixar The Last of Us Remastered APK para Android?

A versão 0.1 do Daedalus Android está disponível gratuitamente no repositório oficial do desenvolvedor no GitHub.

O aplicativo requer Android 11 ou superior, ambiente ARM64 de 64 bits e suporte à API Vulkan. O uso de um smartphone potente, preferencialmente equipado com GPU Adreno, é recomendado, embora a compatibilidade dependa dos drivers e das configurações utilizadas.

O APK não acompanha os arquivos comerciais de The Last of Us. Para executar o jogo, o usuário precisa fornecer os dados de uma cópia própria da versão de PlayStation 4.

A documentação identifica como referência o jogo CUSA00552, versão 1.00. A página de lançamento também menciona CUSA00556, mas o desenvolvedor ressalta que o executável precisa corresponder ao perfil verificado, independentemente da região.

Depois de instalar o aplicativo, é possível selecionar uma pasta com os arquivos extraídos ou importar um pacote PKG compatível. O inicializador prepara os dados antes da execução.

Confira os links oficiais do projeto:

Download The Last of Us Remastered para Android — APK (GitHub)

Repositório oficial, requisitos e instruções de instalação

O projeto não é afiliado à Sony nem à Naughty Dog. Também não inclui os arquivos do jogo, e versões modificadas encontradas em sites de terceiros devem ser tratadas com cautela.

Jogos de PlayStation estão ganhando novas adaptações para Android

O lançamento de The Last of Us Remastered mostra até onde chegou a comunidade que tenta executar jogos de PC e consoles diretamente nos smartphones.

Nos últimos dias, vimos projetos como o port de Pokémon Pokopia para Android e o Banana Native rodando Donkey Kong Bananza, ambos baseados em tecnologias diferentes.

Agora, é a vez de um dos maiores jogos do PlayStation aparecer em um aplicativo Android independente. A experiência ainda exige bastante poder de processamento, configurações específicas e paciência com falhas de compatibilidade.

Mesmo assim, ver Joel e Ellie em um smartphone, com uma taxa de quadros que já supera os 30 FPS em testes documentados, é um avanço que certamente chamará a atenção dos fãs de jogos de console no Android.

Por enquanto, The Last of Us Remastered para Android deve ser tratado como um projeto experimental, mas a primeira versão pública já demonstra o potencial das adaptações que a comunidade está desenvolvendo.

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