
Donkey Kong Bananza, um dos principais jogos exclusivos do Nintendo Switch 2, acaba de ganhar um port nativo não oficial para Android. O jogo da Nintendo, lançado em julho de 2025, já está funcionando em smartphones graças ao projeto Banana Native, que utiliza técnicas de adaptação e recompilação de código para executar títulos do novo console diretamente nos processadores dos celulares.
A novidade impressiona porque estamos falando de um dos jogos mais recentes e tecnologicamente avançados da Nintendo. Donkey Kong Bananza foi desenvolvido especialmente para o Switch 2, com cenários tridimensionais amplamente destrutíveis, gráficos detalhados e uma grande quantidade de elementos interativos.
O projeto é desenvolvido por um programador conhecido como moceure, que também trabalhou no experimental Eden SX2A, emulador de Nintendo Switch 2 para Android.
Desta vez, entretanto, a abordagem é diferente. Em vez de utilizar emulação tradicional, o Banana Native aproveita a arquitetura ARM64 compartilhada entre o Switch 2 e os smartphones modernos para executar o código do jogo diretamente no processador do celular.
Donkey Kong Bananza running nativity on android
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Donkey Kong Bananza para Android funciona sem emulação tradicional
O Banana Native é uma adaptação para Android do projeto nxnative, desenvolvido originalmente para dispositivos da Apple, como iPhone, iPad e computadores Mac.
A principal diferença em relação aos emuladores convencionais está na maneira como o código do jogo é executado.
Normalmente, um emulador precisa reproduzir diversos componentes do console, incluindo serviços do sistema operacional, gerenciamento de memória e funções gráficas. Dependendo da arquitetura, também pode ser necessária a tradução das instruções do processador.
O Banana Native utiliza outra abordagem. Como o Nintendo Switch 2 e os smartphones Android mais recentes utilizam processadores ARM64, o programa consegue executar grande parte do código original diretamente na CPU do aparelho.
Durante a preparação, os módulos do jogo são modificados para funcionar no ambiente Android, enquanto os comandos gráficos da API NVN, utilizada pela Nintendo, são adaptados para a API Vulkan.
O projeto também implementa os serviços necessários para substituir determinadas funções do sistema operacional do Switch 2.
Vídeo do Canal Emulação Android:
Na prática, o resultado é um port nativo baseado no código original do jogo, sem necessidade de emular uma CPU de Nintendo Switch 2.
É importante destacar que a tecnologia não corresponde exatamente à recompilação estática tradicional utilizada em projetos de jogos antigos. O Banana Native reescreve partes dos módulos e prepara os shaders para funcionar diretamente no Android, mantendo a execução nativa das instruções ARM64.
Donkey Kong Bananza já roda a 30 FPS no Android
Os primeiros testes foram realizados em um smartphone equipado com Snapdragon 8 Elite Gen 5, 16 GB de memória RAM e GPU Adreno.
Segundo os resultados divulgados pelo desenvolvedor, Donkey Kong Bananza já consegue funcionar na resolução de 1080p, apresentando aproximadamente 30 quadros por segundo durante boa parte da jogabilidade.
Em determinadas situações, a taxa pode subir para valores próximos dos 60 FPS, mas o projeto ainda apresenta limitações de desempenho relacionadas ao processamento dos comandos gráficos.
Os resultados documentados são os seguintes:
- Snapdragon 8 Elite Gen 5 com driver Qualcomm: aproximadamente 30 FPS, com trechos entre 55 e 58 FPS;
- Snapdragon 8 Elite Gen 5 com driver Turnip: aproximadamente 30 FPS, com trechos entre 49 e 59 FPS;
- Resolução: perfil de 1080p adaptado para smartphones;
- Memória RAM do aparelho testado: 16 GB.
Esses resultados foram obtidos sem geração artificial de quadros. O desenvolvedor afirma que pretende otimizar o processamento para alcançar 60 FPS de maneira mais consistente em futuras atualizações.
Uma das funcionalidades já disponíveis no Banana Native é a integração com o sistema de geração de quadros do Lossless Scaling.
Com esse recurso, é possível utilizar interpolação de imagens para alcançar saídas de 60, 90 ou até 120 FPS a partir de uma taxa de quadros menor.
Entretanto, esses quadros adicionais são gerados artificialmente e não representam um aumento equivalente no desempenho real do jogo. A tecnologia também pode introduzir artefatos visuais e aumentar a latência dos comandos.
Port já permite explorar os cenários de Donkey Kong Bananza
A adaptação já consegue executar o jogo e apresentar seus ambientes tridimensionais, permitindo controlar Donkey Kong e explorar os cenários.
Donkey Kong Bananza é um jogo de plataforma e aventura em mundo tridimensional que coloca o famoso gorila da Nintendo em uma jornada pelas profundezas de um gigantesco mundo subterrâneo.
Acompanhado por Pauline, Donkey Kong precisa atravessar diferentes regiões, enfrentar inimigos, encontrar tesouros e descobrir os mistérios do subterrâneo.
O grande destaque da jogabilidade é a destruição do ambiente. Donkey Kong pode quebrar paredes, arrancar pedaços do terreno, abrir túneis e modificar o cenário com seus golpes.
Essas mecânicas exigem bastante processamento, já que o jogo precisa lidar continuamente com alterações na geometria dos cenários.
Por isso, ver Donkey Kong Bananza funcionando em um smartphone Android é um resultado especialmente interessante para a comunidade de ports.
Apesar dos avanços, a adaptação ainda não está completamente otimizada. O desenvolvedor relata problemas em algumas texturas durante batalhas e pequenas travadas na primeira execução de determinadas áreas, enquanto os shaders são preparados.
O aquecimento do smartphone também pode provocar quedas de desempenho após períodos prolongados de jogo.
Banana Native também está tentando executar Mario Kart World
Donkey Kong Bananza não é o único exclusivo de Nintendo Switch 2 que está sendo adaptado pelo projeto.
O desenvolvedor também começou a testar Mario Kart World, outro jogo lançado especialmente para o novo console da Nintendo.
Segundo a documentação, Mario Kart World já consegue iniciar partidas e permitir que o jogador controle os veículos, mas ainda apresenta problemas gráficos importantes.
Entre os defeitos conhecidos estão texturas ausentes, árvores piscando e áreas do cenário que podem aparecer completamente pretas.
O consumo de memória também é elevado, mesmo em smartphones com 16 GB de RAM.
Por enquanto, Donkey Kong Bananza é o principal exemplo funcional da tecnologia utilizada pelo Banana Native.
Quais celulares conseguem rodar Donkey Kong Bananza?
O projeto ainda está em estágio experimental e possui requisitos elevados.
De acordo com o desenvolvedor, o Banana Native exige:
- Sistema operacional: Android 13 ou superior;
- Processador: Qualcomm Snapdragon com GPU Adreno;
- Memória RAM: no mínimo 12 GB;
- Aparelho utilizado nos testes: Snapdragon 8 Elite Gen 5 com 16 GB de RAM;
- Drivers gráficos: drivers originais da Qualcomm ou versões compatíveis do Turnip;
- Arquivos do jogo: cópia própria e compatível de Donkey Kong Bananza.
O desenvolvedor recomenda utilizar um cooler externo para controlar o aquecimento durante sessões prolongadas.
Também é importante observar que os testes divulgados até o momento foram realizados principalmente em um único smartphone. Portanto, ainda não é possível garantir o funcionamento em outros processadores ou modelos de celulares.
Como baixar o port de Donkey Kong Bananza para Android?
O Banana Native está disponível gratuitamente no GitHub e já recebeu diversas atualizações desde sua primeira versão pública.
Em 5 de novembro de 2026, o desenvolvedor disponibilizou a versão 0.1.4, que acrescenta um sistema de atualizações pelo próprio aplicativo e melhorias no gerenciamento de memória.
Para utilizar o projeto, é necessário instalar o APK oficial do Banana Native e preparar os arquivos de uma cópia compatível do jogo.
O programa não inclui os dados comerciais de Donkey Kong Bananza. Ele funciona como um ambiente que prepara e executa o código do jogo no Android.
Atualmente, a versão compatível de Donkey Kong Bananza é a atualização identificada como 458752. A utilização de outras versões pode não funcionar corretamente.
O processo de preparação dos arquivos pode ser realizado diretamente no smartphone, embora leve aproximadamente uma hora. Também existe a possibilidade de utilizar um computador Mac para preparar os dados, reduzindo esse tempo para cerca de 10 a 15 minutos.
Confira os links oficiais:
Download Banana Native APK para Android (GitHub)
Repositório oficial e instruções do Banana Native
O desenvolvedor alerta que o GitHub é o único canal oficial de distribuição do projeto. APKs encontrados em outros sites podem ter sido modificados e não oferecem as mesmas garantias de procedência.
Vale lembrar que o Banana Native é uma iniciativa independente, sem qualquer vínculo com a Nintendo, e não distribui arquivos do jogo, chaves de criptografia ou firmware do Switch 2.
Ports nativos podem mudar o futuro dos jogos no Android
O surgimento do Banana Native mostra como a comunidade está avançando rapidamente na execução de jogos modernos em smartphones.
Até pouco tempo, a maior parte dos projetos de ports recompilados para Android envolvia títulos de consoles antigos, como Nintendo 64, PlayStation 2 e plataformas da geração do Xbox 360.
Agora, a possibilidade de executar jogos originalmente desenvolvidos para o Nintendo Switch 2 demonstra o potencial dos processadores ARM64 utilizados pelos celulares atuais.
Isso não significa que qualquer jogo do novo console possa ser convertido automaticamente para Android. Cada título possui dependências específicas, diferentes recursos gráficos e necessidades próprias de memória e processamento.
Entretanto, o fato de Donkey Kong Bananza já estar funcionando é um avanço importante para essa tecnologia.
Se os desenvolvedores conseguirem melhorar a compatibilidade, reduzir o consumo de memória e otimizar os comandos gráficos, os ports nativos poderão se tornar uma alternativa cada vez mais interessante à emulação tradicional.
Por enquanto, Donkey Kong Bananza para Android continua sendo um projeto experimental, mas os primeiros resultados mostram que até mesmo jogos exclusivos do Nintendo Switch 2 podem encontrar novos caminhos para funcionar nos smartphones.






