Cyberpunk 2077 já roda no iPhone nativamente (o futuro pode nem ser mais emulação!)

Rodar jogos de “PC” no iPhone finalmente está deixando de ser impossível. Nas últimas semanas começaram a aparecer projetos capazes de executar jogos de Windows diretamente no iOS, algo que o Android faz há anos através de ferramentas como Winlator, GameHub e similares.

É impressionante? Sem dúvida.

Mas existe um problema: olhando especificamente para o ecossistema da Apple, emular jogos de Windows x86 no iPhone pode ser um ato de burrice!

Sim Burrice!

Não porque projetos como o Madeira sejam ruins. Muito pelo contrário. O trabalho técnico é extraordinário. O problema é gastar processamento traduzindo várias camadas de um jogo quando existe um caminho potencialmente muito mais curto!

Usar as versões ARM dos jogos que já existem para Macs com Apple Silicon.

E Cyberpunk 2077 acaba de mostrar exatamente o porquê.

 

 

Enquanto em outros games de PC, como você vai ver no decorrer desses artigo, sofrem pra mostrar um desempenho digno no iOS, Cyberpunk 2077 roda com certa leveza por um bom motivo. A versão “traduzida” de Cyberpunk 2077 é a de Mac, que também é ARM (Apple Silicon, os chips M). Entendeu a sacada?

A maneira complicada: transformar Windows x86 em algo que o iPhone entenda

Alguns dos vídeos que motivaram esta matéria mostram o rápido avanço das tentativas de executar jogos de PC no iPhone e iPad.

O melhor exemplo atualmente é o Madeira, projeto open source capaz de executar jogos x86-64 de Windows em iPhones sem jailbreak.

O problema é a quantidade de tradução necessária para fazer isso funcionar.

Primeiro, o jogo foi compilado para processadores x86-64, enquanto o iPhone utiliza ARM64. O Madeira usa o FEX-Emu para traduzir essas instruções em tempo real.

Rodar games de PC no iOS ainda é um terror, embora esteja avançando rápido.

Depois existe outro problema: o jogo espera encontrar as APIs do Windows. Para isso entra o Wine.

E ainda existe a parte gráfica. Jogos de Windows normalmente utilizam DirectX, enquanto iPhone e Mac utilizam Metal. O Madeira recorre ao DXMT para converter Direct3D 11 para Metal.

Em termos extremamente simplificados, temos algo parecido com:

 

Jogo Windows x86-64 → FEX → ARM64 → Wine → DXMT → Metal → iPhone.

Funciona, mas é uma sequência enorme de adaptações.

O próprio Madeira ainda depende de JIT no iOS e é tratado por seus desenvolvedores como um projeto de pesquisa. Atualmente, jogos como Thumper e ULTRAKILL já são listados como jogáveis, enquanto outros ainda apresentam problemas de desempenho ou compatibilidade.

 

No Android essa “gambiarra” faz muito mais sentido

Aqui existe uma diferença importante.

No Android, traduzir jogos x86 de Windows é praticamente inevitável se você quer acessar a enorme biblioteca de jogos de PC.

É justamente o que o Winlator faz utilizando Wine e Box86/Box64, além de tecnologias como DXVK, VKD3D e drivers gráficos otimizados.

O ecossistema Android já amadureceu bastante nesse sentido e hoje é possível encontrar dezenas de jogos modernos rodando em smartphones.

No iPhone, entretanto, existe uma vantagem que o Android simplesmente não possui: Mac e iPhone compartilham a mesma família de arquitetura ARM da Apple e utilizam Metal como API gráfica.

E isso abre um atalho enorme.

 

Cyberpunk 2077 mostra o caminho mais inteligente

No dia 23 de setembro surgiu uma demonstração muito mais interessante.

Cyberpunk 2077 apareceu rodando localmente em um iPhone 17 Pro Max utilizando os arquivos da versão de macOS do jogo.

E aqui está o detalhe realmente importante: não é a versão Windows de Cyberpunk sendo traduzida de x86-64 para ARM.

A versão para Mac de Cyberpunk 2077 já foi compilada nativamente para Apple Silicon.

A própria CD Projekt Red explicou durante a WWDC 2026 que, durante o desenvolvimento da versão de macOS, criou builds nativos utilizando a toolchain do Mac e adaptou seu sistema gráfico para Metal.

Ou seja, boa parte do trabalho pesado já está pronta.

O processador do iPhone também executa ARM64. A GPU também trabalha com Metal.

Em vez de:

x86-64 → ARM64 → Windows API → Wine → DirectX → Metal

o objetivo passa a ser algo conceitualmente muito mais próximo de:

ARM64 macOS → camada de compatibilidade → ARM64 iOS.

É uma diferença gigantesca.

 

Cyberpunk rodando a cerca de 900p no iPhone

Segundo o desenvolvedor responsável pela demonstração compartilhada nesta quarta-feira, o projeto está criando uma camada de compatibilidade destinada justamente a executar jogos nativos de macOS no iPhone e iPad.

No teste divulgado, Cyberpunk 2077 estaria funcionando em um iPhone 17 Pro Max em aproximadamente 900p, com configurações entre médio e alto.

Outro detalhe ainda mais interessante é que o desenvolvedor afirma que sua solução não necessita de JIT, justamente porque o código do jogo já é ARM.

O usuário precisaria possuir os arquivos da versão de macOS do jogo e transferi-los para o aparelho. O projeto ainda está em desenvolvimento e não possui uma versão pública final.

Portanto, é importante não confundir essa demonstração com um lançamento oficial de Cyberpunk 2077 para iPhone.

A CD Projekt Red não lançou Cyberpunk 2077 para iOS.

Trata-se de um projeto experimental da comunidade fazendo a versão nativa de macOS funcionar no sistema móvel da Apple.

 

Mas macOS e iOS não são a mesma coisa

Também seria errado dizer que basta pegar qualquer jogo de Mac, copiar para o iPhone e abrir.

Apesar de compartilharem ARM64, Metal e diversas tecnologias da Apple, macOS e iOS continuam sendo sistemas diferentes.

Um jogo para Mac pode depender de bibliotecas, frameworks, gerenciamento de arquivos, entrada, janelas e outras funções que não existem da mesma maneira no iOS.

É por isso que ainda é necessária uma camada de compatibilidade.

A diferença é que ela não precisa resolver talvez o maior desperdício de processamento presente na emulação tradicional de jogos de PC: traduzir continuamente código x86-64 para ARM64.

 

O próprio Cyberpunk já nasceu pronto para ARM no Mac

Cyberpunk 2077: Ultimate Edition foi lançado oficialmente para Macs com Apple Silicon em 2025.

Segundo a CD Projekt Red e a Apple, a versão possui um caminho gráfico nativo em Metal e utiliza tecnologias como MetalFX.

Durante uma apresentação técnica da WWDC 2026, a CD Projekt Red revelou inclusive que utilizou inicialmente o Game Porting Toolkit para testar a versão Windows através de tradução.

Depois disso, porém, a empresa criou uma implementação realmente nativa.

É quase uma demonstração perfeita da diferença entre as duas abordagens.

O Game Porting Toolkit serviu para provar que Cyberpunk poderia funcionar no hardware da Apple. Para criar o produto final, a CD Projekt Red preferiu eliminar boa parte da tradução e compilar o jogo diretamente para Apple Silicon.

 

Então emular Windows no iPhone não serve para nada?

Serve, e muito.

Existe uma gigantesca quantidade de jogos de PC que nunca recebeu e provavelmente nunca receberá uma versão para macOS.

Para esses títulos, projetos como Madeira continuam sendo extremamente importantes. É a única maneira de tentar levar essa biblioteca para o iPhone sem depender dos desenvolvedores originais.

Mas quando o jogo já possui uma versão ARM64 para Apple Silicon, utilizar a edição x86 de Windows e começar toda a tradução novamente parece dar uma volta desnecessária no quarteirão.

É uma solução tecnicamente fantástica para um problema que, naquele caso específico, talvez nem precisasse existir.

 

Talvez o futuro dos “jogos de PC” no iPhone venha do Mac

É aqui que as coisas começam a ficar realmente interessantes.

A biblioteca nativa do Mac ainda é minúscula quando comparada à do Windows, mas nunca houve tantos jogos AAA adaptados para Apple Silicon.

Se essa nova camada de compatibilidade realmente conseguir executar de maneira consistente jogos nativos de macOS em iPhones e iPads, ela pode conseguir resultados muito melhores que a abordagem tradicional de emulação de PC.

E existe uma ironia nisso tudo.

Durante anos, o grande problema dos jogos no Mac foi justamente a falta de versões nativas. Agora essas poucas versões podem acabar se transformando na maneira mais eficiente de colocar jogos de computador para rodar no iPhone.

 

Cyberpunk 2077 rodando em um iPhone não é impressionante apenas pelo jogo.

Cyberpunk is running here on iPhone 17 pro max natively
byu/MarionberryDear6170 inmacgaming

O mais interessante é como ele está rodando.

Enquanto um lado tenta transformar Windows, x86 e DirectX em algo que o iPhone consiga entender, o outro simplesmente começa com um jogo que já fala ARM64 e Metal.

E entre as duas ideias, parece bastante óbvio qual delas faz o hardware da Apple trabalhar menos.



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