
Um dos jogos multiplayer mais marcantes do início da era dos smartphones está de volta. Shadowgun: DeadZone voltou a funcionar no Android graças ao Zone Brasil, um projeto independente criado por fãs que conseguiu colocar novamente no ar o clássico jogo de tiro da Madfinger Games, lançado originalmente em 2012.
A iniciativa chama atenção principalmente porque o jogo oficial encerrou suas atividades há vários anos. O projeto brasileiro utiliza como base os recursos disponibilizados pela própria Madfinger durante o período em que a desenvolvedora tentou entregar parte do futuro de DeadZone para a comunidade.
O resultado é uma versão novamente jogável no Android, com servidor próprio, partidas multiplayer e até modificações em relação ao lançamento original.
Shadowgun: DeadZone foi um dos grandes shooters do início do Android
Lançado oficialmente em 15 de novembro de 2012, Shadowgun: DeadZone surgiu como um spin-off multiplayer do primeiro Shadowgun. Na época, a Madfinger Games promovia o título como uma experiência de tiro com qualidade próxima aos consoles dentro de smartphones e tablets.
O jogo chegou gratuitamente ao Android e iOS e oferecia multiplayer entre plataformas. No lançamento, havia modos como Deathmatch e Zone Control, dez personagens e diversas armas e equipamentos.
DeadZone também se destacava pelo sistema de movimentação e cobertura em terceira pessoa, algo bastante avançado para os padrões dos jogos mobile daquele período. A inspiração em shooters de console era evidente, especialmente em títulos como Gears of War.
Em uma época na qual os smartphones ainda tinham hardware bastante limitado, Shadowgun: DeadZone acabou funcionando como uma espécie de demonstração do que os jogos 3D poderiam oferecer nos celulares.
Madfinger entregou ferramentas do jogo para a comunidade
Um detalhe importante na história de Shadowgun: DeadZone ajuda a explicar por que projetos como o Zone Brasil são possíveis atualmente.
Em 2015, a Madfinger Games disponibilizou gratuitamente o chamado Shadowgun: DeadZone Game Master’s Kit para a comunidade.
Não se tratava apenas de um editor simples de mapas. O pacote era essencialmente uma versão reduzida do projeto do jogo dentro da Unity 5.1, contendo código e recursos que poderiam ser modificados pelos usuários.
O kit incluía dois mapas, dois modos de jogo e 21 armas, além de permitir que os próprios jogadores hospedassem servidores para partidas com até 12 participantes.
A Madfinger permitia ainda que a comunidade modificasse mapas, assets, scripts e configurações. Na época, a própria desenvolvedora chegou a incentivar jogadores interessados em desenvolvimento a experimentar as ferramentas.
Comunidade chegou a criar mapas que foram parar no jogo oficial
A iniciativa acabou dando origem a uma pequena comunidade de modificações em torno de DeadZone.
Um dos projetos mais conhecidos foi o ComZone, que reuniu versões e modificações desenvolvidas pela comunidade a partir do Game Master’s Kit.
O envolvimento entre jogadores e desenvolvedores chegou a um ponto curioso: alguns mapas produzidos ou finalizados pela comunidade acabaram posteriormente incorporados ao próprio Shadowgun: DeadZone oficial.
A Madfinger chegou inclusive a entregar dois mapas inacabados para integrantes da comunidade. Eles foram concluídos dentro do projeto ComZone e depois importados novamente para DeadZone.
Essa abertura incomum acabou sendo fundamental para a preservação do jogo anos depois.
Servidores oficiais de Shadowgun: DeadZone foram encerrados
Apesar da popularidade que conquistou durante os primeiros anos, Shadowgun: DeadZone acabou perdendo espaço conforme a Madfinger passou a investir em novos projetos.
As versões para PC e macOS foram descontinuadas antes do encerramento definitivo do jogo. Posteriormente, o acesso também começou a desaparecer das plataformas móveis.
No final de 2018, jogadores do iOS perderam acesso ao título. No Android, o processo aconteceu posteriormente, culminando no encerramento oficial de Shadowgun: DeadZone em abril de 2019.
Com servidores desligados e o aplicativo fora das lojas, um jogo essencialmente multiplayer se tornou praticamente impossível de aproveitar da maneira como havia sido concebido.
Foi justamente a existência das ferramentas disponibilizadas anos antes pela Madfinger que abriu espaço para que a comunidade continuasse experimentando com DeadZone.
Zone Brasil revive Shadowgun: DeadZone no Android
Agora, um novo projeto chamado Zone Brasil está chamando atenção por colocar novamente Shadowgun: DeadZone para funcionar em smartphones Android modernos.
O projeto é mantido de maneira independente e, segundo informações divulgadas por pessoas envolvidas com a iniciativa, está sendo desenvolvido por apenas duas pessoas.
A versão atual utiliza APK de 64 bits com aproximadamente 184 MB e conecta os jogadores a servidores mantidos pelo próprio projeto.
Isso significa que não se trata simplesmente de instalar uma versão antiga do APK original. Existe uma infraestrutura comunitária permitindo que as partidas multiplayer voltem a funcionar.
Versão brasileira traz conteúdo desbloqueado
O Zone Brasil também realizou algumas alterações em relação ao funcionamento original de Shadowgun: DeadZone.
Segundo testes divulgados pela comunidade, personagens, armas, skins, chapéus e outros conteúdos aparecem desbloqueados na versão atual.
Também teriam sido removidos alguns sistemas de melhorias de atributos que originalmente estavam associados à monetização do jogo.
A ideia é colocar os jogadores diretamente nas partidas sem reproduzir parte da progressão e das limitações comerciais existentes quando DeadZone ainda era operado oficialmente.
Outra curiosidade é a presença de mapas modificados pela comunidade. Entre eles existem até cenários inspirados em mapas famosos de outros shooters, mostrando como o antigo Game Master’s Kit continua permitindo alterações bastante profundas.
Um pedaço importante da história dos jogos mobile
O retorno de Shadowgun: DeadZone é particularmente interessante porque recupera um período bastante diferente dos jogos para celular.
Em 2012, títulos como Shadowgun, Dead Trigger, Modern Combat e NOVA estavam entre os principais exemplos utilizados para demonstrar a evolução gráfica de smartphones e tablets.
DeadZone tentou transportar para o touchscreen uma estrutura bastante próxima dos shooters de PC e consoles, mantendo controles manuais para movimentação, mira e disparo.
Mesmo que atualmente existam jogos tecnicamente muito mais avançados nos celulares, revisitar Shadowgun: DeadZone ajuda a mostrar o quanto os games mobile evoluíram — e também como algumas ideias daquela geração acabaram desaparecendo conforme o mercado passou a adotar outros modelos de monetização e jogabilidade.
Gameplay:
Projeto não é um relançamento oficial da Madfinger
É importante destacar que Zone Brasil não representa um retorno oficial de Shadowgun: DeadZone e não se trata de uma nova versão publicada pela Madfinger Games.
O projeto é uma iniciativa independente criada pela comunidade utilizando como base o ecossistema de ferramentas e modificações desenvolvido em torno do jogo.
Por esse motivo, também é recomendável ter cautela com arquivos APK distribuídos fora da Google Play Store. Aplicativos obtidos por fontes externas não passam necessariamente pelos mesmos processos de distribuição e verificação de uma loja oficial.
Ainda assim, do ponto de vista de preservação, é uma história bastante curiosa. Mais de uma década depois do lançamento original e vários anos após o encerramento dos servidores, Shadowgun: DeadZone está novamente sendo jogado no Android graças ao trabalho da própria comunidade.


