
A emulação de PlayStation 4 no Android acaba de dar um daqueles saltos que parecem difíceis de acreditar. Bloodborne já está rodando entre 30 e 50 FPS em smartphones Android utilizando o Bachata S4, projeto baseado no shadPS4 e desenvolvido especificamente para dispositivos ARM64.
O avanço foi demonstrado em um vídeo publicado pelo canal K1RA, que mostrou Bloodborne funcionando durante o gameplay e alcançando uma faixa próxima dos 40 FPS em várias situações. Em áreas mais leves e utilizando resoluções extremamente baixas, o jogo chegou até mesmo a se aproximar dos 60 FPS.
O resultado impressiona principalmente pela velocidade da evolução. Segundo K1RA, há cerca de duas semanas Bloodborne já conseguia entrar no jogo no Android, mas funcionava em câmera lenta porque não atingia os 30 FPS necessários para manter a velocidade normal do game. Agora, com novas otimizações e patches, o cenário mudou completamente.
Bloodborne roda entre 30 e 50 FPS no Android
Nos testes apresentados pelo K1RA, Bloodborne aparece rodando geralmente na faixa de 30 a 50 FPS, dependendo da área e das configurações utilizadas.
Isso não significa que o jogo esteja completamente perfeito ou que todos os celulares conseguirão alcançar o mesmo desempenho. Estamos falando de um emulador de PS4 ainda em estágio experimental, com requisitos extremamente altos e diversos problemas de estabilidade.
Mesmo assim, conseguir controlar o personagem e explorar cenários de Bloodborne com taxas de quadros próximas ou até superiores às encontradas originalmente no PlayStation 4 representa um avanço enorme para a emulação no Android.
Anteriormente, o jogo mal abria e crashava logo nos minutos iniciais. Em apenas 2 meses, já é possível jogar sessões inteiras do game.
O desempenho também varia bastante conforme a resolução. K1RA chegou a realizar um teste em 360p, reduzindo drasticamente a carga gráfica. O resultado ficou visualmente bastante comprometido, mas permitiu que o contador se aproximasse dos 60 FPS em determinadas áreas.
Bachata S4 0.1.9 traz patches que mudaram o desempenho
O grande responsável pelo novo teste é o Bachata S4, um emulador experimental de PlayStation 4 para Android baseado no núcleo do shadPS4.
O vídeo utiliza a versão 0.1.9, que trouxe uma mudança especialmente importante para jogos mais pesados: um sistema de patches integrado ao emulador.
Esses patches permitem modificar determinados parâmetros antes da execução do jogo. No caso de Bloodborne, algumas alterações podem desativar ou reduzir efeitos gráficos que consomem muitos recursos.
Entre as opções utilizadas no teste estão a remoção de efeitos de pós-processamento, antialiasing, motion blur e determinadas sombras. A ideia é diminuir o trabalho necessário para renderizar cada quadro e, consequentemente, aumentar o desempenho.
Também existe um patch para desbloquear a taxa de quadros, permitindo ultrapassar o limite tradicional de 30 FPS de Bloodborne.
Patches foram importantes até mesmo para Bloodborne no PC
Esse tipo de modificação não é novidade na história da emulação de Bloodborne.
No próprio PC, patches e modificações tiveram papel importante durante as primeiras fases do desenvolvimento do shadPS4, ajudando a contornar problemas gráficos, melhorar desempenho e permitir que o game avançasse cada vez mais dentro do emulador.
Agora uma abordagem semelhante começa a ser utilizada no Android, onde a limitação de potência e memória torna essas otimizações ainda mais importantes.
Consumo de RAM ainda é gigantesco
Apesar do salto no desempenho, ainda existem grandes obstáculos pela frente.
Um deles é o consumo de memória RAM. Durante o teste, o uso de memória cresce significativamente e ainda podem acontecer travamentos relacionados a vazamentos de memória.
O problema se torna especialmente complicado nos smartphones porque CPU e GPU compartilham a mesma memória. Diferentemente de uma placa de vídeo dedicada de PC, não existe uma grande quantidade separada de VRAM disponível exclusivamente para os gráficos.
Por isso, aparelhos com muita RAM e processadores topo de linha continuam sendo praticamente obrigatórios neste estágio do desenvolvimento.
Há dois meses Bloodborne sequer chegava perto disso
Talvez a parte mais impressionante seja comparar esse resultado com o estado da emulação de PS4 no Android há poucos meses.
Segundo K1RA, a trajetória começou com trabalhos derivados do shadPS4 adaptados para Android, quando até jogos relativamente simples ainda apresentavam problemas.
Bloodborne inicialmente avançou apenas pelas telas de inicialização. Depois passou a renderizar partes do jogo. Em seguida, conseguiu chegar ao gameplay, mas ainda funcionava em câmera lenta.
Agora o título já aparece funcionando entre 30 e 50 FPS em determinadas situações.
É uma evolução particularmente impressionante porque Bloodborne é justamente um dos jogos que mais impulsionaram o desenvolvimento do shadPS4 no PC. O exclusivo da FromSoftware nunca recebeu uma versão oficial para computadores, fazendo da emulação uma das únicas maneiras de executar o game fora de um console PlayStation.
Ainda não significa Bloodborne perfeito no celular
Apesar das imagens impressionantes, é importante colocar o resultado em perspectiva.
O Bachata S4 ainda é um projeto experimental. Problemas de memória, travamentos, glitches gráficos e diferenças enormes de desempenho entre aparelhos continuam fazendo parte da experiência.
Também não há garantia de que uma taxa próxima de 40 FPS seja mantida durante toda a campanha. Os números apresentados representam situações específicas mostradas durante os testes.
Mesmo o próprio projeto trata Bloodborne atualmente como um jogo que consegue chegar ao gameplay, e não como um título cuja campanha inteira já foi validada sem problemas.
Emulação de PS4 no Android está evoluindo rápido demais
Ainda assim, é difícil não ficar impressionado com o ritmo dessa evolução.
Durante anos, imaginar um jogo como Bloodborne sendo executado diretamente em um smartphone parecia algo reservado para um futuro distante. Agora não estamos mais falando apenas de abrir menus ou mostrar uma tela inicial: o personagem já pode ser controlado, os cenários são renderizados e o desempenho começa a entrar em uma faixa realmente jogável.
Naturalmente, ainda existe um longo caminho até que PS4 no Android seja algo tão simples quanto a emulação de consoles mais antigos. Mas olhando para o quanto o projeto evoluiu em apenas alguns meses, fica cada vez mais difícil prever onde essa cena estará daqui a um ano.
Fonte: demonstração e testes publicados pelo canal K1RA no YouTube: “ISSO aqui É COMPLETAMENTE INSANOOOOOO!!! PS4 LISO no ANDROID”.
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